Saturday, April 18, 2009

Tributo a Mário Ferreira Gomes

Cinquenta pedras já pesaram
no alforje de sua caminhada solitária
todos nós temos nosso sanatório íntimo
é um santuário no intocado do nosso ser
nos atiramos num túnel insondável e sem volta
nalgum metrô sobre um labirinto
em suas suas mãos cada pedra
era um poema encantado
que nunca feriu ninguém de verdade
deixou apenas o susto da perplexidade
O surreal poeta nos ensinou
mais do que viver como loucos
a mergulhar nas águas ferruginosas
da esquizofrenia artística
e emergir cada dia de si mesmo
a carregar a trágica grandeza
dos poetas assassinados
com sua figura terna
com os vagabundos e marginalizados
esquelélito Chaplin de pés descalços
a rir destraído da morte
e da estupidez
Vejo-te bem de perto
talvez como ninguém jamais te viu
o mais leal e desprendido amigo
irmãos de Karma na plenitude do infinitude
dos amores e dos dias
vamos vivendo nosso delírio galopante
sobre nossos sonhos e rebeldias
até a grande acrobacia nitente e abissal
Não queiram nos dar uma camisa-de-força
com que sempre se amordaçaram
tudo é imponderável e cruel
nas fisuras do tempo por vir
Precisamos apenas de muito ar puro
paz e poucos nacos de luz e carinho
no picadeiro solidário do planeta

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