Uns dos Outros
Vou rodar o mundo
deixar árvores centenárias
cuidar da minha melancolia balbuciante
talvez algum velho amigo
surja repentinamente
numa dose de sincronicidade
talvez encontre certos casais
com quem dividi alegrias mundanas
talvez estejam mortos
os dias se foram com êles
indigentes párias loucos
monges senis ou felizes
quem sabe o que moveu
plenilúnios?
grande é o mar do esquecimento
durante tão longo exílio
neste vasto país sem memória
esquecemo-nos uns dos outros
queria encontrar
estranhos generosos
sábios vagabundos
altivos transluzentes
homens simples
com êles me banhar nágua limpa
a vida é uma permanente nebulosa
a gerar mandalas de mistério
no inconsciente solitário dos povos
sobram poucas notícias
de parentes e convivas


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