Seres sem nenhum uso
não há seres que não se bifurquem
abrem muitas portas muitas saídas
dividem seus desejos
mas nos cotovelos e nas camas
se quebram em seus ardores
e choram em suas mesas de PAÚRA
vendem por bagatelas suas asas
se lambuzam de mesuras
fazem filhos em suas mentiras
espalham a vastidão das trilhas
colocam no apetite todas as lonjuras
confundem refúgios com direções
e acabam no funil dos mares
assim dois a dois se matam os seres
ou se enganam inutilmente
quase sem nenhum uso
celebram cegos
e se bifurcam de novo
em qualquer labirinto vadio


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