Saturday, April 18, 2009

Brinde na Floresta Ignota

Brindo a silenciosa nota que não consigo ouvir
a um encontro insólito com um monge em Maracaíbo
Brindo ao alimento de uma orquídea
com sua beleza selvagem e ao seu pólem
que se evola em todos os perfumes
Brindo ao xamânico despertar dos pássaros
a vibrar intenso no cor-de-rosa dos botos
na profundidade do Rio Negro
Brindo ao organismo longevo da tartaruga
à frugalidade do voo das libélulas
à velocidade dos ciclos lunares
em suas ilhas profundas de serenidade
Brindo ao vinho das naus afundadas
a requentar a paixão inesquecível
Brindo a sufocada compaixão
pelas coisas que amanhecem abondonadas
Brindo a minha velha laranjeira
indiferente ao sazão de todas as desventuras
Brindo às crianças livres e mansas
pois nelas estará a faísca vírgem do amanhã
Brindo ao amor que guardo
na manta da minha alma escarlate
Brindo sim brandamente

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