Thursday, July 20, 2006

DESCONEXO

Quando eu tinha cabeça
eu andava dentro do infinito
de todas as coisas
Quando eu tinha amor
eu andava dentro de mim
sempre a olhar o outro
ou o outro outro
Quando eu tinha tempo
eu vivia sem pensar
Apenas ia
e vinha.

PONTES

Vou patinando no escuro
as nuvens acordam com a chuva
As montanhas que vejo são lonjuras
estão fora do chão das buscas acesas
Sempre estou sobre uma ponte
infinitamente longa
Onde digo adeus a cada segundo
ao meu eu intempestivo
Talvez enlouquecido com o real

FILHOS

Lembro-me sempre de Kalil Gibran
meus filhos são filhos do futuro
ou filigramas de amor puro
São filhos do mar
um mar sem fim
a invadir meu continente.

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